0 e 1
Quando temos uma pré-concepção formada sobre um assunto tendemos a escutar ideias que se alinhem com as nossas e dispensar aquelas que divergem das nossas opniões. Esse é um comportamento humano natural e portanto sempre esteve presente nos debates ao longo da história. O grande problema da época em que vivemos é que a internet amplifica essa dificuldade que as pessoas têm de se abrir a discussões racionais e questionar suas próprias convicções. É a chamada cultura do post: Um indíviduo joga uma opnião na rede e os demais expõem opniões nos comentários concordando ou discordando, simplesmente, e nessa lógica da rede social é quase impossível haver um debate de maior complexidade.
Isso nos leva ao título do texto: As discussões atuais são pautadas no "zero" e no "um", a infinidade de números decimais entre eles somem. Coxinhas ou petralhas, esquerda ou direita... A tecnologia cria uma onda de massa que obriga as pessoas a sempre escolherem o lado A ou B, como se toda a sociedade fosse dividida em apenas duas mentalidades diferentes. Isso empobrece todos os campos de produção e discussão. No caso da arquitetura, representa uma trava no desenvolvimento do processo criativo. O arquiteto com o pensamento 0-1 enxerga sempre duas opções: O projeto em alinhamento com o estilo da cidade ou o projeto excêntrico destoando completamente das construções ao redor; arquitetura como continuação da natureza ou em oposição à natureza, estilo retrô ou moderno... Quando, muitas vezes, o meio-termo, a mescla ou a reflexão para se chegar a um consenso, renderiam projetos fantásticos e idéias inovadoras que acrescentariam possibilidades muito mais interessantes. Como chegar a isso? Pela discussão sadia, colocando idéias em cheque e se permitindo auto-crítica. Sabendo que não existem verdades absolutas, nem certo ou errado e que o 0 e o 1 são os extremos, não todo o pacote.
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